O que salvava minha alimentação no Brasil eram as frutas. Comia todos os dias. Aqui tá duro viu…Agora no outono só acho maça e uva…uma tristeza…preciso aprender a cozinhar mais legumes. Pelo menos isso eu acho com boa variedade.

To me sentindo tão improdutiva no trabalho…ando cansada mesmo! precisando recarregar as baterias…mas férias só em maio…Saudades da minha família, saudades do Brasil…maio tá tão longe…

Que puxa!

Mantive meu peso aqui no Canadá, isso é bom. Mas ainda não consegui resolver o problema do meu almoço, as opções no campus são limitadas e cansei de levar marmita. Primeiro deixa eu explicar a alimentação dos canadenses. Eles tomam um café da manhã com direito a ovos e bacon, um almoço  fraco (umas frutas, um sanduba) e um jantar mais reforçado lá pelas 6 pm. Então é impossível comprar um almoço do jeito que eu estava acostumada. E também não consigo jantar às 6 da tarde. Acabo comendo muito e muito tarde.

Mas uma coisa boa no meio dessa confusão é que eu comecei a respeitar mais meu corpo. Isso é novo pra mim, porque sempre usei a comida pra ter prazer, não importando se eu tinha fome ou se meu corpinho ia sofrer pra processar toda a comida. O fato de estar pecebendo isso já é positivo, minha escolha agora é mais consciente. Explico: antes eu não pensava, só comia. Agora eu penso antes, e na maioria das vezes desisto de me empanturrar rsrs Digo na maioria das vezes porque não consigo resistir sempre hahaha

Bem, é isso. Estou trabalhando bastante, fazendo algumas coisas que no me gustan, e isso está me fazendo repensar minha carreira, o que quero pra minha vida. Quero colocar minha vida em holocausto à ciência? Só pra ter 300 artigos publicados? Ser reconhecida na área? So what? Quero mais é ser feliz, e vou fazer de tudo pra isso, seja na carreira acadêmica ou whatever I decide.

Ando relaxando na alimentaçã0. Meu peso está estável, mas como minha pele aqui não está tão boa quanto em São Paulo, eu deveria cuidar mais do que vai no prato. O problema é que a comida toda é mais gordurosa aqui. Eu até tento cozinhar à noite e levar a comida no outro dia, mas não estou suportando o gosto que fica depois de esquentar no microondas. Algumas até que ficam boas, como purê. Mas esses dias inventei de levar salmão…ai, ficou horrível.

Além dessas dificuldades ando sem ânimo pra mudar. Superar esses obstáculos. Estou trabalhando bastante, e quando fico stressada sinto vontade de compensar comendo coisas bem gostosas.

Preciso mudar isso, mas não estou encontrando a força necessária…

Outra coisa que preciso fazer é escrever um artigo…estou enrolando faz tempo…sento na frente do computador e não sai nada…força de vontade mode off ultimamente 😦

Nos últimos dias tenho pensado muito sobre a morte. No meio de tantas religiões e crenças, o que mais me angustia é a possibilidade de não existir nada, nadinha. Eu sei que se não existir eu não estarei aqui pra saber, mas isso faz da nossa vida uma experiência ainda mais louca. Até uns tempos atrás pensava que reencarnação, apesar de toda inconsistência, ainda é a coisa mais justa. Mais ou menos assim: “ok, nessa vida vc vai nascer num lugar que não vai te dar as mínimas condições de se desenvolver, vai passar fome, e vai morrei aos 12 anos. Mas com isso vai aprender algumas coisas e depois volta como milionário. E vc aí, não se preocupe, esse montão de livros que vc lê vai servir pra alguma coisa, vai te fazer evoluir mais rápido.” Por mais absurdo que isso possa parecer, me traz um conforto que possa existir justiça num plano superior. Mas e se não existir nada?

Esses pensamentos, além de me angustiar (remember, tudo me angustia), me fazem querer aproveitar mais essa vida, seja lá o que venha depois.

Uma fotinha bonitinha como contrapeso a um assunto pesado como esse:

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P.S.: Esse é meu novo amiguinho, ele mora na frente do meu prédio e muitas vezes o vejo antes de ir pra universidade.

Eu lembro de tudo,

somatizo tudo,

o mundo de angustia.

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Quanto tempo dedicar ao trabalho? Como ser mais eficiente? Como não deixar que a profissão defina quem você é?

São essas as perguntas que andam me assombrando…

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Foi só me acostumar com a comida daqui que a gula começou…estava tão feliz que nem pensava em comida…

Por isso preciso mudar esses hábitos agora, enquanto está no começo…hoje tive um dia tão lindo, saí passear e tive uma bonita surpresa. Decidi conhecer um parque de difícil acesso. Quando cheguei lá ele estava parcialmente fechado por causa de um aero show. Caminhei até a praia onde era mais fácil de acompanhar, foi demais. Muitas pessoas, o show era parte de um evento maior, então montaram também um parque, tinha muitas barraquinhas. Amei. Cheguei em casa tão feliz que até cozinhei meu jantar em vez de comer sanduiche. Falando nisso, preciso aprender a fazer mais pratos com cogumelos…é muito fácil encontrar cogumelos frescos no mercado, com uma qualidade excelente.

Hum…não é que eu seja preguiçosa…mas nenhum dia se compara a sábado e domingo rsrs

Victoria, BC

Victoria, BC

Vida nova. São tantas as mudanças que parece que faz um ano que saí do Brasil. Está sendo muito difícil ficar sem meu noivo aqui. A saudade é absurda. Mas sempre procuro tirar o melhor de cada situação, então essa fase está sendo muito importante pra eu me redescobrir. Eu nunca morei sozinha. Primeiro com a família, depois com uma amiga, depois com meu noivo. Eu sempre tive a dúvida: “será que minha companhia me basta? Será que agüentaria a barra?” Estou muito feliz em descobrir que a resposta é SIM! Estou aguardando ansiosamente pelo meu noivo, gostaria muito que ele estivesse aqui agora. Mas não é necessidade. E é por isso que eu tenho certeza que esse relacionamento é o mais saudável que já tive na vida. Porque nós dois somos completos sozinhos, mas nos amamos e queremos ficar juntos. Antes de viajar falei com minha psicóloga. Ela me incentivou muito a aproveitar essa solidão forçada. O que eu realmente gosto de comer? E a que horas? Qual meu nível de organização? Que horas gosto de dormir e acordar? Essas coisas são muito afetadas por um relacionamento.

Descobri que eu até esqueço de comer quando estou sozinha. Só me lembro quando realmente estou com muita fome. Descobri que sou uma pessoa muito organizada. Acho que só consegui organizar minha vida em uma semana por conta das inúmeras listas que usei. E, apesar de não ser compulsiva por limpeza, o ambiente tem que estar minimamente ordenado pra eu poder trabalhar/estudar.

Quando saí do Brasil estava apavorada com não estar conseguindo emagrecer. Aqui pra começar não tenho balança, nas farmácias não tem. Mas a julgar pelas roupas, devo ter emagrecido 1 ou 2 quilos. É um pouco desgastante procurar novas comidas. Eu estava acostumada a cozinhar algumas coisas, e ainda não achei os ingredientes aqui. Então talvez no começo eu coma muita coisa repetida, pois não estou com muito tempo pra me dedicar à procura de novas receitas. Isso é até bom, pois como sou 8 ou 80, logo estaria pensando em comida 24 horas por dia.

Ai como é gostoso poder sair na rua sem medo de ser assaltada!!! Canada, te amo.

É hoje!!!!!!!!!

Por que temos tanto medo do novo? Está sendo MUITO difícil me despedir do meu noivo que eu amo tanto. Sabia que ia ser punk, mas está sendo muito, muito pior.

Foram meses de luta. Não adiantava ter pressa, em alguns momentos só se podia esperar. E agora estou com as malas quase prontas. Meu visto chegou!!!!!!

A mudança que se aproxima é um pouco assustadora. Sozinha no Canadá, tendo que estudar química até vomitar e ainda arrumar lugar pra morar. Mas foi por tudo isso que eu batalhei, agora não tenho o direito de desistir ou fazer corpo mole.

Estou com frio na barriga, com medo do novo.

Sei que depois que me adaptar será maravilhoso, foi um pouco difícil até me adaptar em São Paulo por exemplo. Foi uma experiência única ter ido pra sampa fazer meu mestrado,  a cidade é incrível e a USP é realmente uma universidade maravilhosa. Agora é doutorado, em outro país.

Quero aproveitar a mudança radical pra mudar coisas que sempre começo e empaco. Vou me alimentar melhor e aproveitar que a cidade é menor pra caminhar mais. E também diminuir o consumismo…tenho que guardar dinheiro se quiser viajar pro Brasil ver minha família rs

E pra terminar, acho que aquele comercial da Nike diz tudo: Rala que rola!!!!!

Sobre mim

25 anos, perturbada, sonhadora e procurando o caminho do meio num mundo de extremos. Ah, e nas horas vagas eu tento emagrecer.
agosto 2017
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